Augustinopolis-TO, segunda, 27 de setembro de 2021

Educação

Programa estimula a liderança feminina no agronegócio

28/03/2019 13h40 | Atualizado em: 28/03/2019 13h47

Teve início neste mês o programa educacional Academia de Liderança das Mulheres do Agronegócio. Idealizado pela Corteva Agriscience em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC) e a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), o curso visa estimular o protagonismo feminino no campo.

A iniciativa responde à demanda identificada em recente pesquisa realizada pela Corteva Agriscience com quatro mil produtoras rurais em todo mundo, inclusive no Brasil. Para elas, ter acesso à educação (por meio de cursos de formação ou de atualização) é um dos fatores-chave para que as mulheres conquistem posições de destaque no setor.


Maria Elisa Brandão Bernardes é professora do curso e participou da construção da Academi; A aluna Silvana Marson já toca seu próprio negócio e busca mais conhecimento e novas experiências. (Foto: Divulgação)



A primeira turma do programa, em caráter piloto, é formada por vinte profissionais representantes de diversos estados brasileiros. “Essa classe é muito importante porque nos ajudará a aperfeiçoar o modelo para 2020, quando teremos 300 alunas matriculadas”, diz Rosemeire Cristina dos Santos, Relações Institucionais da Corteva Agriscience. “O agronegócio brasileiro é um dos mais competitivos do mundo e milhares de mulheres já trabalham em nossos campos, seja na produção, na administração ou na pesquisa científica. Contudo, elas ainda não recebem o reconhecimento adequado. Precisamos mudar essa realidade e fazer com o que os seus nomes sejam reconhecidos e referenciados pela sociedade”, alerta.

Os idealizadores da Academia apostaram em conteúdos altamente desafiadores, com aulas e atividades que ampliam a visão macroeconômica, estimulam o desenvolvimento de novas competências e promovem o networking. “Vamos atuar fortemente em questões estratégicas, articulações com as esferas públicas e discutir o posicionamento da mulher à frente do negócio”, explica a professora Maria Elisa Brandão Bernardes, que na FDC atua na área de Estratégia, Organização e Modelos de Gestão. “Sou feminista e crítica do cenário atual, então é um grande prazer participar desse projeto”.




Viviane Barreto acredita na evolução da sociedade por meio da transformação profissional; Rosemeire Cristina dos Santos prevê 300 alunas em 2020 (Foto: Divulgação)


Para Luiz Cornacchioni, diretor executivo da ABAG, a iniciativa privada, os governos e as entidades de classe devem se esforçar em busca de mais representatividade feminina no agronegócio. Viviane Barreto, diretora de mercado da FDC, concorda. Ela afirma ainda que a equidade de gênero reflete benefícios para os negócios. “O equilíbrio entre homens e mulheres na tomada de decisão gera reflexões mais ricas e isso impacta diretamente nos resultados”, analisa.

Multiplataforma, a Academia de Liderança das Mulheres do Agronegócio é formada por três módulos compostos por aulas online e encontros presenciais – em Brasília (DF), as alunas discutirão a participação da mulher na política e as perspectivas para o Brasil, já em Nova Lima (MG) será a vez de abordar questões de sustentabilidade e governança. “Também teremos um workshop no Instituto Inhotim”, conta Viviane.

O agro está no sangue

Além do amor pelo campo e da busca por mais conhecimento, as primeiras alunas da Academia de Liderança das Mulheres do Agronegócio têm em comum familiares atuantes no setor. Cresceram vendo seus pais, suas mães e seus avós lidando com a terra e com o gado. “Meu pai é a minha grande inspiração. Ele adorava a parte comercial. Além disso, sempre coloquei a mão na terra quando visitava meus avós no sítio. Não tem jeito, o agro está no sangue”, conta a engenheira agronômica Silvana Marson, que hoje emprega onze colaboradores na distribuidora Agrícola São João. Ela enxerga no programa uma enorme oportunidade para trocar experiências com professores e empreendedoras de todo o Brasil.

Silvana, Elaine e Rosi serão diplomadas em outubro, em São Paulo, durante o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (em 2018, o evento bateu recorde de público com 1.600 participantes). As autoras dos cinco melhores projetos de conclusão de curso terão a oportunidade de ir aos Estados Unidos, onde conhecerão a sede da Corteva Agriscience e fazendas-modelo.


 

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